Eita!

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Maturidade


17 anos. Mas as pessoas não costumam acreditar nisso; tenho também 22 e 27. Não gosto disso, por que temo que esperem de mim uma maturidade que facilmente não poderei demonstrar em todos os momentos. Dramas pessoais! Que nos levam a questões mais universais. Que diabos é ser maduro?

Partindo do conhecimento óbvio de que somos uma soma. Uma soma do universo ao qual estamos inseridos. A minha forma de me expressar, lidar com situações, e pensar é fruto do que eu leio, vivo, e do que vem para mim das minhas figuras parentais. Até onde li, aproximadamente depois dos 12 anos, essa soma deixa de contar com importância da minha idade física (o tempo que passei na terra ou o desenvolvimento do meu cérebro),e, então, o que me define são as experiências pelas quais passei. Acorrentadas ao mesmo processo vivido pelos meus pais e próximos.

Então, numa determinada família o novo adulto é considerado como tal por um parâmetro próprio determinado pelas experiências vividas por essa família, o grupo de pessoas que se relacionam. Então para cada família há um momento de transição, em que os jovens começam a ser notados como adultos, até haver um ponto crucial (uma situação?) para que esse jovem complete sua transição e possa ser reconhecido como um adulto pronto.

Mas a vida não é colorida? As situações não são múltiplas? Para a minha família eu sou um adulto, e já há algum tempo, mesmo ainda que formalmente precise de um ano. Para o convívio do meu grupo, tenho direito às minhas decisões e não estou sujeita à permissão dessas figuras parentais para realizar coisas. Há, porém, um detalhe prático. Não sou um adulto maduro, por isso minhas decisões são assistidas. Assistidas como? Eu peço opinião! Esse é nosso parâmetro. Sou capaz de racionalizar minha vida.

Significa que a minha educação, minha formação e evolução pessoal, agora, são responsabilidades minhas; aprender a dividir, que no mundo adulto quer dizer ser solidário está, agora, por minha própria conta. Feliz?

Não! É a vida. Ser um adulto ainda não é ser madura. O que eu faço com meu desenvolvimento é que define. Resolver problemas da melhor maneira possível. Livrar-me dos preconceitos que herdei e construir uma moral minha. Conquistar independência, que é diferente de não ter ou querer pedir permissões, mas não precisar pedi-las. Escolher as próprias figuras parentais, que vem como outros mentores, que ensinam à partir do ponto que seus pais lhe soltaram.
Mas a demanda de coisas para alterar em mim mesma também é uma preocupação. É natural desconstruir conceitos da fase anterior de vida. Mas quais? A influência que outras pessoas que passam pelo mesmo processo têm sobre essas mudanças e esses crescimentos pessoais deve ser supervisionada pela racionalização.

O que é base da maturidade e não deve ser desconstruída é a infância que, óbvio também, para quem leu sobre AT, é quando se aprende tudo o que é de visceral e diz respeito ao corpo. Também é o que ama o novo e inicia o burburinho para que se altere alguma coisa. Quando sua criança não gosta do que está acontecendo, ela aciona os mecanismos que tem para que as coisas se alterem. O que não dá prazer aciona o corpo, reino da criança, e dói. As coisas ou doem ou são prazerosas. Estar indiferente é mais errado, do ponto de vista da saúde, do que estar infeliz.

Em mim, minha criança dança, canta e faz o que quer. Para administrá-la preciso dar ao meu corpo umas horas de independência diária, e então; tenho 17 anos. Mas as pessoas não acreditam nisso, tenho também 1 e 4 e 7. Três meses, sem entender o que se passa às minhas costas. E não gosto disso, por que a idade é um conceito estético. Tenho seios, então deveria ter 17, mas isso não basta. Eu penso, sinto, me subdivido; e o que eu faço com essas faculdades é ser maduro. Bases e alvos.
Então ser maduro é ter a habilidade de desconstruir o que se é, mas também crescer sobre as bases já construídas. Habilidade de se alterar inteligente e constantemente. De mudar, mesmo, a gente não para nunca.

sábado, 12 de setembro de 2009

Certas noites, o céu me rouba
O mundo entra numa pausa surda,
E minhas memórias se lançam, para
Fora de mim! Rumo ao azul
Pequena e surda, um canto se abre de mim,
Um som virgem, novo.
Saio dali como se tivesse tomado um banho na alma
E, sim, o fiz.
Mergulhei num rio inverso
Na profundidade em si

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Sozinha, acompanho os sons que parecem perto, parecem perto e,
ainda antes de chegar se afastam...
Enlouquecida divirto-me mais na suspeita do que quando, mesmo,
O rosto imaginado se figura; material
O som não é palpável, me dou com ele.
Talvez eu também o seja.
Atravessando os outros; e tudo... Eternos além da percepção

Tudo produz som. Eu me dou com ele.
Devo ser parte de tudo. Ou, apenas,
me dou com tudo...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O ENEM X Nova Gripe – Um ano desastroso para os vestibulandos

Nós nunca amamos tanto nossos professores de biologia. Enquanto o universo escolar se preocupa com o vestibular e as mudanças deste ano é reconfortante ter alguém que nos assuste com segurança. A nova gripe, com absoluta certeza, teria feito mais estragos na época dos vestibulares unificados CesgranRio e FuVest, mas não deixou de agredir nosso ideológico Novo ENEM.

As escolas da rede pública não receberam verba para os cuidados necessários para a prevenção de contaminação e, vergonhosamente, na rede estadual as janelas foram lacradas para acompanhar o funcionamento de ar condicionados centrais, assim as aulas não podem recomeçar, até setembro ou além. Mantendo a, ainda mais, passos atrás os estudantes em favor dos quais o Novo Enem foi instituído.

A Educação Pública nunca marcou bons pontos e, para esses estudantes, ingressar na universidade já era um desafio fora do normal; a gripe suína virou o Enem pela culatra, pois, agora, além de enfrentar os problemas da educação e, para muitos, a jornada de trabalho, o que prejudica os estudos, têm também de dar conta das mudanças do Exame Nacional. Exame esse, que se tornou mais difícil e extenso. São 180 questões, e muito parecidas com as questões do Vestibular UERJ, considerado um dos mais difíceis do estado.

Para diminuir os estragos da gripe, que pudessem, se não for pedir muito, ao menos, garantir material descartável para a higiene, álcool em gel 70%, e orientar para que evitem contatos físicos. Se não se pode pensar com mais cuidado no futuro escolar dessas pessoas, pensemos na saúde.

Obs.: Cresce ainda o número de adolescentes grávidas vindas de família de baixa renda, que frequentam essas escolas desprotegidas. A mortalidade pela nova gripe, para esse grupo, é de quase 40%. Quer dizer que para cem grávidas contaminas, morrem quarenta.

sábado, 15 de agosto de 2009

Resposta de Super Herói

Puta merda!!!
Me fez chorar? Não...me fez passar vergonha engasgando ao tentar ler o "meu novo" bilhete!
Com vc não farão nada! Fica tranquila... almas assim como a nossa não são atingidas por catastrofes físicas.... nesse caso só se ferem aonde dói menos... o que são pernas e braços e dentes, quando a cabeça da gente continua sã! Quando o coração continua inteiro!!! A nós (super-herois de merda-ahuahauha) machuca mais um amor mal resolvido, a briga com um amigo, saudade... essas coisas simples que aos olhos dos demais não parecem tão importantes...
e não farão nada,também, porque EU não vou deixar! Não é porque estou de folga um tempinho que diminui! E mesmo que façam....outras pessoas (BRILHANTES)como vc serão novos super-heróis!!! Porque a gente vai continuar enchendo o mundo de idéias, músicas e bom humor....
te amo incomensuravelmente
aaah!!!
vc tem razão... preciso mesmo que vcs - minhas heroinas de agora me ajudem e não deixem nossos castelos de sonho perderem o brilho!

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Como a vida devia ser

A sala cheirava a canela, um cheiro que vinha do fogão da cozinha, no sofá ela assistia um filme de amor, ele deitava-se em seu colo, os cabelos em carícia, quase dormia. Alguma coisa sobre casais assistindo a filmes juntos representa harmonia. O modo como ele lhe abraçava as pernas, confiando a ela o amparo de seus pensamentos. Permitir que ele dormisse é outra concessão comum e voraz de assumir a calma.

- Sabe o que eu estava pensando?

- hum... – sonolento

- Que se você pudesse ouvir tudo o que eu penso, como se fosse você pensando, mesmo sabendo que eram pensamentos meus...

- Isso seria extremamente invasivo e geraria terríveis conflitos! – ele ajeitando-se nas pernas para poder olhá-la.

- Não! Me deixa falar, ia ser justamente o contrário, por que eu tenho auto-censura, tudo o que eu penso de ruim, eu penso que não devia ter pensado, logo em cima, e ainda me sinto culpada.

- Mas e as coisas que são ruins para mim e você pensa, achando que são boas?

- Essas coisas, são as coisas que você pensa que eu vou pensar, mas quando me pergunta eu nego, e mesmo assim você acha que eu só neguei pensar para não te deixar triste... Mas no fundo você já esperava que eu pensasse essas coisas.

- Pode ser...

- Se você pudesse ouvir todos, completamente, meus pensamentos, e eu os seus, no fundo, não brigaríamos, mas entenderíamos ainda mais as atitudes imaturas, os comportamentos inesperados... As vezes os porquês redimem as atitudes, por mais coisas ridículas que se possa fazer!

- É... Inteligente... utópico mas... – ele riu.

- Mas o quê – ela lhe espelhou o riso.

- Mas não seria como tentar rimar com ônibus? As pessoas são muito diferentes!

- Essa é a graça!

- Mas se elas se conhecessem tão profundamente... Não ficaríamos todos, meio, iguais? Quero dizer, no fundo, a gente é sempre controlado por versões diferentes dos mesmos sentimentos; medo, vaidade, prazer...

-Mas não seria interessantes perceber como as experiências diferentes de cada um se associaram com esses sentimentos? De que forma, o que aconteceu pra você ser mais vaidoso que eu, pra eu ter medo de sapo e você não gostar do mar?

- Nossa, mas você é tão inteligente... – e toda filosofia se desmonta pela barganha de um sorriso.

- Inteligente o suficiente pra eu ganhar um beijo?

- Não!

- Como não?!

- Meus beijos não são comprados, assim, por pensamentos inteligentes!

- Como eu compro seus beijos, então?

- Ah! Não sei... Canta pra mim...

domingo, 9 de agosto de 2009

Carta que escrevi para o meu pai, no dia dos pais!

Eu não tenho muito que dizer, por que tenho sono, e quando estou com sono e durmo no sofá você me pega no colo e me leva para a cama. Dormindo, eu sonho, e de manhã tenho vontade de lhe contar meus sonhos, por que você os quer ouvir. Quem ouve os sonhos está sonhando junto, e ideologicamente, pensado sobre a vida, nós planejamos nossas vidas juntos. E ainda, sim, livres.
Quando paro para ler o jornal, tenho certeza, podemos ter um pelo outro todo o amor do mundo, o que é normal, e deve ser assim. Mas nós dois temos a mania absurda de desafiar o mundo, as estações do ano, o jeito de fazer frango, a ditadura e as pessoas burras, e assim, deixamos claro para o mundo que nós somos uma dupla e nos compreendemos. E você compreende.
Que não quero ser igual a você, continuar suas conquistas e perpetuar seu nome, não vejo razão pela qual você não possa fazer isso sozinho. Eu quero seguir o caminho de liberdade que mostrou para mim durante os anos. Eu não tenho para onde ir, mas com certeza saí de algum lugar e essa plataforma impulsionadora é feita do seu corpo, do corpo de minha mãe.
Me surpreende a forma como todas as nossas conversas se transformam em grandes lições, ainda. E, não posso ter certeza, mas ninguém está mais surpreendida do que eu quando, em algum momento perdido no tempo; que nós não temos relógios; passei a, também, dar lições e cobrar virtudes. Jamais imaginei, um dia, me tornar uma igual. Sou uma super-herói também? Acho que estamos os dois surpresos. Mesmo que Erik Herikson nos tenha contado essa façanha do ser humano.

Ser um ser humano com você é maravilhoso. Existir de você, humano, é uma honra.
Brena Bella

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Doces Catástrofes

Preciso de um desastre.

Como um chicote para por escravos na linha.

Preciso de um chicote para pôr sentimentos rebeldes na linha!

Se eu devo ser senhora de mim, domá-los todos, como a cavalos.

Açoitar pata por pata, e o dorso, para ver se me voltam mansos para dentro.

Mas acontece que não são cavalos, minhas emoções, não são.

São baleias; imensas!

Ou pássaros; voadores!

Coisas para que não se usam chicotes...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Saber o que fazer

Organizar as próprias finanças, hoje, é o que define independência, maturidade e idade adulta. É triste admitir que o sistema financeiro pelo qual andamos nos perdendo tenha chegado aqui e, tristemente, sem que nós tivéssemos qualquer habilidade em detê-lo.

Hoje, quando penso em ser dona do meu nariz, adolescente e fugaz, como devo ser aos dezessete anos, não penso em chegar em casa depois das dez, ter carteira de habilitação, comprar bebida alcoólica, namorar quem quiser, ou até mesmo morar sozinha. Meus pais, e os pais de muitos, o desejam assim como eu. A problemática vem em outros padrões. Ter dinheiro para pagar o táxi na bandeira dois, ter o meu próprio carro, ser tão cara a garrafa de uma boa vodka, pagar um motel, aluguel, conta da internet, de água, de energia elétrica, da Tv à cabo. Ser adulto é, claramente, ter dinheiro. Não é o caso que eu discorde de que ter poder aquisitivo seja parte da idade adulta. Mas simplesmente não consigo encontrar algo que possa definir mais a idade adulta que tal. E o discernimento?

Discernir não é necessário. Paga-se alguém para o fazer. Produzir dinheiro é necessário. E, para os sortudos, paga-se alguém, também, para ganhá-lo. Enquanto a vida se instala fácil para os que são sortudos, para os que começam da conta de zero, na escala de capital acumulado, é necessário tanto discernir quanto produzir dinheiro independentemente. E assim, com o discernimento somos todos comunistas. Mas, quando somos seres vivos, lutando contra as leis da termodinâmica, baixamos a cabeça e fazemos o favor de garantir pelo menos e pão de cada dia. Basta-nos reclamar sobre a causa do problema para nos sentirmos diferenciados, quando a única coisa que nos diferencia é termos sido obrigados a discernir. E, o pior, não poder fazer nada com nosso próprio discernimento. De que adianta saber que é mais justo pôr os mendigos em sua casa, e tratar deles, se isso tiraria da sua boca e da de seus filhos a saúde e a fartura mínima?

Essa realidade sobre a qual ando falando é mais esmagadora do que se imagina. Todos os processos psicológicos, hoje, se adaptam ao capital e suas artimanhas; a chegada da idade adulta, como citei, o significado da criança, a razão entre segurança e liberdade. Esmaga, principalmente, a nós discernentes. A verdade é que nem sabemos o que fazer. E esse é o principal veneno. Reconheço uma praga egípcia disfarçada. A primeira do mundo como um todo. Tremem minhas pernas esperar pelos gafanhotos.. E ainda nem mesmo ter comentado sobre os que começam da conta de menos que zero. E ainda não saber o que fazer.

Não sentem!

O amor é uma cadeira. Uma cadeira. O que há numa cadeira que não necessite de alguém para existir? Tanto para ser produzida com para fazer sentido. E mesmo assim a cadeira o é. Concretamente, sem ninguém estar sentado nela. E sem ninguém inquirir sobre como ou quando foi produzida! Sem considerar a si mesma sobre essas mesmas circunstancias, eu espero.

É claro que há cadeiras e cadeiras. Pergunta-se muito sobre as de 1820 e, muito mais, ainda, sobre as cadeiras que ainda estão no papel, se preparando para serem famosas em cem ou duzentos anos. Assim também é o amor. Tristão e Isolda são velhos, mais velhos que Romeu e Julieta, que são, seguindo a banca, mais velhos que Estela e Jorge, assim, mais velhos que Lívia e Guma, mais velhos que Edward e Bella, mais velhos ainda que Jacob e Bella. Há amores e amores. Quando eu estou apaixonada ninguém escreve um livro sobre isso. Talvez eu devesse. Talvez não. Ninguém morreu por mim, ainda.

Mas os amores são como cadeiras, assim como a política. Porque o amor é concreto. O mesmo posso dizer da política. Não é preciso estudar sociologia para entender como surgiu, ou estar sentado nela para acreditar que existe. Ou até mesmo para usá-la. Até quando nos achamos livres está lá, em nossas relações sociais.

Alarmante é ver o quanto distanciamos a política do real motivo pelo qual foi criada. Organizar a vida, uma ferramenta social. Como martelos e facas. Canetas e apontadores. Não é como cigarros e analgésicos, ou sal, ou pimenta, mas como garfo e faca. Não se pode viciar em garfo e faca. Usar mais o martelo que o outro sem necessidade. Mas comida apimentada e gente com pulmão ferrado estão aí. Deve ser ferramenta. A política deve ser uma cadeira. A política deve ser o amor. E há políticas e políticas. A educação neste município é uma droga. Mas teve grupo de Jazz, ontem, no anfiteatro.

Fazer política com amor, e fazer os dois como cadeira.

sábado, 18 de julho de 2009

Michael Jackson

Eu acredito em Deus. Certo. Mas você acha que Deus acredita em Deus? Quero dizer, quem , que se possa considerar saudável, se leva a sério? Consegue imaginar alguém chegando para um secretário, impostando a voz e dizendo; “Escreve aí: Eu sou a verdade e a vida, quem crê em mim vivera!” ? Ok. Consigo imaginar alguém dizendo isso. Mas conseguimos imaginar alguém caindo nessa. Qual é?!

Então, se a há um Deus perfeito, benevolente, bonito, charmoso, o mais inteligente, simpático, bonzinho, bom em física e em história ao mesmo tempo, fiel e tudo mais, todo mundo gosta. Mas não dá pra imaginar uma pessoa assim se achando dono do mundo e da verdade. Eu não consigo imaginar Deus como um cara metido. Por que se ele fosse assim eu poderia ser assim também! E eu poderia pedir leite de cabra com morango e mil toalhas brancas no meu camarim! Então Deus não pode ser um cara metidão, bonitão de óculos escuros na praia de Copacabana. Não pode ser um professor de Biologia de pedra, infeliz. Não pode ser um físico. Deus tem de ser desumanamente humano. Para ser perfeito.

Assim, eu consigo imaginar Deus como aquele cara, que se parece com o Senhor Miyagi. Imaginem a Cena:

Um ambientalista da Assembléia de Deus (sei lá! Isso deve existir!), se ajoelha perante o senhor Miagi, e começa, usando “Senho” como vígula:

- Senhor criador do mundo, esse mundo que é seu Senhor por favor, Diga o que nós devemos fazer com ele Senhor como nós, pobres homens senhor devemos cuidar Senhor do mundo, Senhor.

Senhor Miagi responde corando.

- Mas, menino, que isso, quem sou eu, faz o que vocês quiserem, eu fiz, mas não sei o que fazer com isso, não, por isso que eu pus vocês aí. É de vocês, faz o que vocês quiserem!

Deve ser um cara assim. Sabe, como a minha mãe, que me deixa usar as roupas dela por que acha que ficam bem em mim. E nesse instante, como pode alguém assim, simplesmente se levar tão a sério, mandar escrever um livro para dar instruções... Instruções? Não. Basta que ele tenha, escondida, a definição do amor, e nos diga para fazê-lo. Julgar sobre céu e inferno? Por que alguém assim teria trabalho de criar um super planeta, com tantas coisas lindas, e precisar ainda de um Céu?! Isso simplesmente não faz sentido. Como pode esse mesmo ser, dar sua criação a seres de pensamento livre e ainda achar necessário um Inferno? Estranho, né?

Não existem esses fantasmas, não é? Isso sempre esteve claro. Quanto a Jesus, à parte toda a humanidade presente nessa situação, foi um cara que mostrou um jeito interessante de se viver a vida. Pelo que eu experimentei até agora, é um jeito que evita essa coisa de ter um inferno dentro de si. Ser bom, gostar do mundo, e amar, ajuda à parcela da vida que está para o lado de dentro não enlouquecer. Por quê, isso, com certeza, significa inferno.

Não que a loucura interior não tenha serventia. Há de se julgar se, criar um inferno, pode te ajudar a absorver mais um pouco da parcela da vida que fica para o lado de fora, alterá-la. Esse tipo de sacrifício é muito difícil de fazer.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Poeta Natureza

Treinando para o vestibular, o terror de todo o adolescnte, achei o tema de uam redação do Enem antigo... Decidi escrevê-lo:

O desafio de se conviver com a diferença


Poeta Natureza



Desde os poetas a humanidade usa a antítese, a associação de idéias opostas, para explicar conclusões complexas. A sociedade é composta por idéias complexas. Como explicar a forma como nos relacionamos uns com os outros? Como lidamos com o que não podemos entender? São necessárias idéias opostas. Culturas opostas.

Na Terra, existem cinco continentes diferentes, habitados por diversas e inúmeras tribos e povos diferentes. Com religiões diferentes, danças diferentes, línguas diferentes. A associação dessas idéias nos ajuda a entender como deve funcionar a humanidade. Todos devemos ter uma fé, dançar, e nos comunicar, não importa como.

O desafio de se conviver com a diferença está em perceber isso. Perceber que a diversidade de cultura é essencial para a compreensão do mundo e de como o humano se relaciona com ele. É necessário atentar para o fato de que todos os povos caminham para a associação de culturas; isso significa entender o que a Natureza tenta nos dizer com as antíteses entre as culturas. O modo certo de viver está em conciliar todos os modos de viver.

Do mesmo modo como os poetas usam as antíteses para explicar o amor, as nossas diferenças culturais são as antíteses da Natureza. Explicam o complicado modo de se viver em sociedade. Para entender como viver em sociedade, devíamos ouvir melhor o Poeta Natureza.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mais uma história de amor. Há de se perdoar o narrador.

Laura deixou sua cama e, tudo quem havia nela, já relutante. Pois certa que jornalismo seja uma excelente escolha profissional ainda era um Trabalho. Uma coisa que lhe fazia acordar cedo, toda manhã. Trabalha num jornal de uma cidade qualquer no meio do país. Com muito trabalho chegara à editora. Adorava o que fazia. Mas hoje... Hoje tudo fora estava mais frio. Enquanto tudo dentro estava mais quente. Começar o dia com um conflito. Péssima sorte.

Foi-se mesmo assim. O bom dia de trabalho se estendeu sobre o tempo, e, à tarde, já não se diria arrependida de ter saído da cama. Complicada e agitada como a vida de um jornal deve ser, logo a Mulher já se excitava com a política local. Mandara Edgard cobrir o incêndio. Enfim, bem sucedida, o dia acabara sem que pudesse perceber completamente.

Era hora. Dentro do carro, só conseguia pensar em seu Marido, deixado à horas, que provavelmente já estaria em casa, vindo do ensaio. Músico, alegre, descansado, viril, e, desta vez, só porque é hoje, obediente.

Dito. Feito. Estava lá, na sala, dentro do piano, os dedos tensos e os cabelos descansados. Sorriu para ela como quem vê um monte de borboletas afoitas. E era isso mesmo. Nada sobre jantar, dia de trabalho, problemas com a vizinha, falta da empregada. Laura puxou-o do piano e guiou-o até um quarto. Afoita.

Ele ria da Mulher. Divertido e brincalhão, arrancou a própria camisa e atirou-a pela janela. Caiu na piscina. As mãos de trinta e sete anos avançaram para as coxas de trinta e dois.

Sob ele, Laura tateou a gaveta da cômoda. Achou lá uma pequena caixa de madeira, com dificuldade abriu-a. Tateou-a por dentro.

- Onde estão as Camisinhas?

- Ah... Amor, eu não comprei. – ele respondeu.

- Eu preciso das camisinhas! – com absoluta certeza, aquilo não era obediência.

- Na verdade, - disse sobre os cotovelos para vê-la melhor – Você não precisa.

- Eu preciso das camisinhas!

- Eu tenho um motivo para não as ter comprado!

- Você tem?!

- Sim! Eu quero a tentar ter um bebê!

- Eu PRECISO das camisinhas, Miguel!

- Eu tenho trinta e sete anos, Laura! Eu quero ter um filho!

- Eu não quero ter um filho! – levantou-o devagar de sobre si.

E quando Miguel indagou-a por que, de braços cruzados e joelhos na cama, ela respondeu que não podia ser Mãe. Em troca do segundo por que, disse que não possuía as habilidades necessárias.

- Que habilidades necessárias? Você tem um útero!

Não tinha um emprego adequado para a maternidade. Respondeu que para ser mãe deveria ser outra coisa que não jornalista. Deveria ser alguém com prática. Professora de jardim de infância! E por que ele riu dela um riso de ridículo, Laura disse que não seria Mãe porque provavelmente quebraria a Criança em pedaços, antes do umbigo cair. Como fizera com todas as próprias bonecas. As dela e as da irmã.

Vendo que por bases racionais não convenceria a esposa, aproximou-se novamente. As mãos novamente. E sussurrando em seu ouvido como Ele gostaria de ter um bebê... Conseguiu que ela o jogasse para longe da cama. Levantasse com raiva.

- Não!... Você! Você não pode fazer isso! – sempre que ficava nervosa desconectava as palavras...

- Laura! Volte para cama... – Ele pediu, o mais doce que foi capaz...

- Não – E o armário que já se abria deu-a um casaco. Ela desceu as escadas e, rapidamente fugiu.

Um hora mais tarde...

- Pai!

- Ué! O que foi? Vem aqui me dar um abraço!

- Miguel não comprou as camisinhas!

- Perdão?!

- As camisinhas, Pai! Malha de plástico capaz de conter as células mais minúsculas!

-Mas...

- Malditas células minúsculas!

- E por que você não comprou?

- Ele é que faz essas coisas. Comigo é a execução!

- Mas para quê tanto desespero?Ele quer...?

- Ter um bebê!

Laura sabia para onde correr e ter guarida. Seu pai sempre entenderia. Contou a ele sobre tudo o que acontecera em seu dia. Tinha certeza de que ele estaria, de fato, interessado. Era o pai.

E contou tudo, nos mínimos detalhes, porque o pai era seu conselheiro de verdade. Ele sabia de tudo. Sobrevivera à pior parte adolescente. Ele entenderia perfeitamente.

Depois de abraçar a filha, e, abraçar seus dramas com o calor paternal, indagou se ela estava certa de não querer ter filhos. Ele mesmo gostara muito!

- Eu vou quebrar a criança antes do umbigo cair! E se isso não acontecer, o que certamente duvido, ele, ou ela, vai crescer, me forçar a gritar por ele, ou ela, pela rua enquanto se esconde do banho. Daí eu, que não tenho paciência, vou parar de procurar. Ele, ou ela, vai aparecer três dias depois, na garagem, com frio, desidratado, com fome e fedendo. E ainda vou me sentir culpada por isso!

- Essa é a melhor parte, minha filha!

- Melhor parte?! Melhor parte?! Não vai nem ser o começo! Ele, ou ela, vai crescer! Você já percebeu que as crianças não param de crescer?! Vai durar uns dezesseis anos! Eu vou ser a pior Mãe do universo inteiro e ele, ou ela, vai ser cheio, ou cheia, de problemas! Traumas para tudo o quanto for setor mental! Em todas as linhas da psicologia! E... E... – desconectou novamente – V...Vai... Vai pôr a culpa em mim! – engrenou, finalmente - Porque eu seria a mãe dele...

- Minha filha...

- Ou Dela!!! – Laura pôs as mãos enterradas nas raízes dos cabelos e apertou a própria cabeça como se fosse capaz de arrancar-se de um pesadelo. – O provável é que eu consiga quebrá-lo, ou quebrá-la, antes que possa sequer dar um passo!

- Mas, minha filha, você ainda não está grávida, está?

- NÃO! Eu fugi!

- E você prefere que seja ele ou ela?

- ELA!

Foi então que o Velho riu um sorriso largo e seguro. Sábio como deveriam ser os pais de filhas adultas. Com as vidas prontas. Simplesmente conselheiros. Este Pai o era. E feliz estava por já ter provado o próprio ponto. Conhecia a própria filha muito bem. Sabia que, no fundo, ela não passava de uma axagerada e assustada auto-limitadora. Uma daquelas pessoas que é capaz de fazer qualquer coisa, mas insiste em escolher o que não seriam capazes de fazer. Pessoas que escolhem o próprio ponto fraco. Têm medo do próprio poder. Laura era assim, seu Pai sabia disso.

Inventara para si mesma que jamais seria capaz de ser Mãe. Mesmo quando todas as Crianças da família a amavam. Todo o desespero que a filha inventava já era conhecido pelo pai. E só havia uma coisa que ele pudesse fazer.

- Você sabe que pode fazer tudo o que quiser fazer, não sabe, minha filha?

- Pai! – choramingou – eu não posso ter um bebê... Eu vou acabar esquecendo de alimentá-lo... Como aquele coelho... Lembra do coelho, pai? Eu matei o coelho.

- Mas o seu marido não vai deixar você fazer isso...

- Não entendi...

- Ele não vai te deixar quebrar a sua boneca!

- Boneca?!

- Vai ser dele também! Vocês estão juntos!

- Ele nunca teve uma boneca, ia ser a primeira boneca do Miguel.

- Você não vai estar sozinha! – e disse mais – Eu estarei com você! Ou você acha que eu vou deixar meu primeiro neto sem saber jogar futebol?

- Miguel não sabe jogar futebol! Ele não pode ser o pai!

- Eu sei jogar futebol! Deixa o futebol comigo! Eu posso cuidar da filosofia também. Deixa as aulas de filosofia comigo!

- O filho é meu! Eu ensino filosofia!

- Eu pensei que você não quisesse ser Mãe!

- Eu...

- Quer ou não quer?

- Quando me casei, não achei que quisesse. A verdade é que eu nunca achei que Miguel fosse ser um pai para o meu filho...

- É mesmo, minha filha? – o Velho estava, agora, realmente surpreso.

- Sempre um eterno namorado.

- Isso já é uma outra questão. Você não acha?

- Semana passada eu sonhei com um bebê. Ele estava correndo em minha direção. Não era Miguel ao meu lado! Ele nunca está ao meu lado.

- Então o buraco é mais embaixo, não é?

- O problema não é ter um bebê. O problema é que o meu casamento chegou a um fim. – Laura proferiu esta frase e, congelada numa descoberta tão estranha, pensou. Sentiu um medo. E depois sentiu-se segura de uma decisão que se apagou no momento seguinte. Sentiu-se então acolhida, viera ao lugar certo. A única coisa de que precisava era que alguém estivesse ali. Ouvindo. Foi o que seu Pai fizera. Ouvira.

- Você tem certeza, meu Bebê?

- Tenho. Por isso fugi dele... Não de mim.

Mais uma hora depois. No colo do papai. Suspirou fundo e olhou a mensagem que acabara de chegar ao seu telefone:

Onde você está?!

Estou rodando pela cidade!

Não consigo te achar!

Estou preocupado!

Liga para mim!

Por favor!

Por telefone.

- Miguel?

- Laura! Pelo amor de Deus! Onde você estava?

- Estou indo para casa, você me encontra?

- Laura, o que houve? Onde você estava?

- Está tudo bem. A gente se vê em meia hora?

- Sim! – desligou.

Porta do carro aberta. Pronta para ir para casa. Recapitulando todo o dia. Tentando planejar o quê dizer. Como fazer.

- Pode me dizer as horas, por favor?

Horas? Laura virou-se para a direção da voz e ali estava uma jovem sem relógio. Observou-a. Os cabelos enrolados caídos pouco além dos ombros. A pele morena num corpo magro. Os olhos expressivamente negros. Um ar de pressa. Nada de errado havia com ela. Era tarde da noite, mas não tão tarde. Não estava perdida. Perguntava as horas apenas.

- Qual é o seu nome?

- Brena Bella!

- Eu seria uma péssima mãe.

- Isso depende do pai, não acha?

- Certo... São dez e meia!

- Obrigada!

Com um sorriso se despediu. Laura fechou a porta do carro. Chegou em casa. Uma outra chave para a porta da cozinha, depois de entrar pela garagem. Ele a esperava no sofá da sala. Ainda músico. Ainda sem a camisa. Olhou-se para a piscina para checar se a blusa havia mesmo caído lá. Sim, estava metade na água metade na escada. Branca. Sóbrio, Miguel usava muito branco.

- Qual é o seu problema? – disparou logo que há viu – Você sumiu por duas horas! Não atendeu o celular durante duas horas! Você podia ter dito ‘Não! Que quero esperar!’. Mas é claro que você tinha que sair correndo e sumir por duas horas! Caso contrário, você não seria Laura Maia.

- Me desculpe.

- Não! Não tem desculpa. É muito fácil ser você! Quando não gosta de alguma coisa é fácil, não é? É só sair correndo! Por que você não quer ter um Filho comigo? O que tem de errado com o que nós temos aqui, nesta casa, Laura? Nesta cidade?

- Você nunca teve uma boneca, Miguel!

- Mas do que você está falando?!

- Você nunca teve uma boneca, você acha que pode ser pai?

- Você quebrou as suas bonecas!

- E as da minha irmã... – Laura sentou-se ao banco do piano. De frente, mas longe dele. Encarava o destino de sua descendência sem filhos, sem marido.

- Se há alguma coisa que acha que deveria dizer, devia fazê-lo. De uma vez.

- Você é um namorado, Miguel! O maior namorado, mas um namorado!

Ele riu. Miguel era uma espécie de detector de coisas ridículas. Ele ria quando ouvia uma idiotice. E sempre estava correto. Sempre que ele fornecia ao ambiente essa risada sarcástica e curta era mesmo uma coisa ridícula que estava sendo dita. Laura sabia disso. E por não sentir-se ridícula, chateou-se. Decidiu-se menos delicada.

- Meu pai concorda!

- A única coisa que seu pai faz é te deixar livre para tirar suas próprias conclusões, sejam elas equivocadas ou brilhantes. É sempre você, sozinha, que descobre tudo!

- Você devia ser o homem que vem me buscar na estrada para trocar o pneu!

- Quando foi que o seu pneu furou, Laura?

- Várias vezes! Tarde da noite! E eu o troquei sozinha!

- E por que você não pediu ajuda?! Por que não ligou para mim?!

- Você me entendeu, Miguel! Você sabe o que eu quis dizer!

- Não eu não sei!

- Como não sabe!

- Eu quero entender como você pode me dizer que eu não sou um marido decente se você mesma não acha que precise de um!

- Como?!

- Você sabe trocar um pneu, Laura! Você cortou o galho da árvore que estava entrando pela janela!

- Você estava em casa!

- EU CHEGUEI MEIA HORA DEPOIS! – ele, agora, gritava. E ela já não tinha mais o quê dizer.

- Isso não é justo! VOCÊ COMPROU UM CARRO SEM ME COLSULTAR!

- Há quanto tempo você faz aulas de violão? – ele ria novamente. Ria para o ridículo.

- Seis meses. – uma lágrima desgraçada lhe corria os olhos.

- Música, Laura! Eu sou músico, Laura! Você não achou que eu gostaria de saber disso?!

- O que está havendo? - Laura agora estava completamente desorientada. Tudo o que pensava ser o motivo não o era. A decisão que havia tomado já não tinha fundamento algum. Pelo que tudo se mostrada ser, ela mesma só sabia metade da história.

- Você quer saber o que está havendo? – ele ainda ria. – Você diz que não tem suporte de mim. Diz que não te deixo participar da minha vida! Enquanto sou eu... O BABACA! Que está pendurado para o lado de fora da janela! Desesperado. Pedindo “ME DEIXA ENTRAR!”. – o riso já sumira e o desespero de um homem sem mais nada que fazer para resolver os problemas estampava-se no rosto dele. – Você não vai ser mãe sozinha, Laura! Se abrir a janela, eu ainda quero entrar...

- Eu...

- Você!

- Você comprou o carro para se vingar de mim? – chorou.

- Sim.

- Isso foi ridículo.

- Ah! - suspirou - eu sei...

Miguel levantou-se como fosse fazer as malas. Mas seu destino era o piano. Ao lado de Laura, o homem, de pé, tocou alguns acordes profundos. Aqui estava o clímax de todo um conto sobre a vida. Nada é o que se pensa ser. E alguns homens não são eternos garotos. Algumas mulheres não têm letras bonitas. A música está sempre presente. As borboletas espreitam pela janela, desesperadas para os seres humanos aprenderem à única lição que têm tempo de ensinar; de que não há tempo. Não se deve deixar que as asas murchem, pois é o fim. Os contos são sempre fábulas.

O tempo também. O tempo está sempre presente. E mais dois anos na vida deste complicado casal fizeram uma criança ruiva e exageradamente sorridente, atenta para o mundo, consumidora do Tempo. Olhões negros. Um gosto especial por Borboletas, um chapeuzinho Vermelho na cabeça.

A Borboleta Dourada

A borboleta Dourada voava sozinha por todas as partes de um pomar. Brincava com as folhas e dançava com as flores. A vida era tranqüila e armada para as pequenas alegrias. Nada de ruim que acontecesse poderia fazer um mal tão assustador, pois nada de bom que acontecesse a fazia perceber o quão ruim poderiam ser os infortúnios. Uma vida morna para um potencial tão valioso do inseto com asas de ouro. Um potencial que a lançava a um vôo estonteante.

Foi aí que a Borboleta Dourada viu o Sol. O poderoso fogo que a aquecia todo o tempo. Finalmente a Borboleta conseguira perceber que a fonte de todo o calor era a coisa mais maravilhosa do céu. Uma esfera, perfeita, de fogo. Passou a voar pelo Sol. Amando-o incondicionalmente. E o sol, apaixonado pelo fogo dourado do pomar, amava-a de longe, libertando luzes. Incondicionalmente.

O dia passava e as flores se fechavam. Não havia mais dança no final da tarde. Mas o que mantinha a Borboleta viva eram os raios do Sol. Nada mais fazia falta se houvesse o fogo dos céus. A alegria do Pomar era dourada. Tudo parecia reluzir. E tudo realmente reluzia. O Fogo dos Céus amava a Chama do Pomar.

No entanto, sem despedir-se, o Sol foi embora para trás da colina. Tudo ficou frio, escuro e solitário. Novamente, a Borboleta Dourada estava sozinha. Suas asas raras de ouro eram a única luz brilhando no pomar. Uma luz incandescente. Mas sozinha.

O tempo foi passando e a Borboleta ficando sem rumo. Sem ver nada. Tudo que pudesse ser apenas sentido fazia a diferença. Tudo o que não se podia ver cintilava as sensações da fraca Borboleta. Foi quando seus pequenos pulmões já ficavam fracos que ela conheceu o Ar.

O Ar. O que não ficava de fora e se lançava por entre e por dentro da Borboleta Dourada. Um novo ser que a mantinha viva. Mesmo sem a luz do sol. Mesmo que a Mãe Lua fosse apenas um reflexo incompleto de luz. Havia uma brisa que fazia sentido. Um novo amor que a segurava durante a noite.

Enquanto estava escuro, os novos amantes dançavam o cio entre as asas e o vento. O vento, de Ar, que nem mais a folhas tocava. Nem mais na água mexia. Nem mais a poeira incomodava. Tudo o que bailava na noite do pomar era ar e a borboleta. E uma luz que poderia ter se apagado, graças ao Ar, iluminava uma noite que deveria ser negra e prateada como a Mãe Lua. A Força dos Moinhos amava a Tecelã do Vento.

Mas o tempo se fazia passar enquanto o pomar, entre a montanha, girava no universo. E logo o inicio da manhã, sem explicação alguma, trazia de volta o Sol. Fraco e morno, tanto tempo que havia passado sem a Chama do Pomar. Avistou-a e mais força ganhava, e mais claro tudo ficava entre as árvores. Quando finalmente era forte de novo, conseguiu perceber que a Borboleta não passara a noite sozinha, que a borboleta não ficara tão fraca quanto ele. A Borboleta conhecera o Ar.

Enciumado, sem pedir explicações, o Fogo dos Céus queimou mais forte, e ao meio dia tudo era tão quente que as asas da Borboleta Dourada secaram. Pesaram como pedras de vulcão e, nem que o vento tentasse desesperadamente trazê-la de volta para as alturas, nada impediu que ela se chocasse com o Pai Terra e, ficasse ali, ferida para morrer.

O vento cessou. O Pai Terra chorou uma nascente. Até que a Mãe Lua estivesse sobre o céu novamente, a borboleta agonizou, até morrer, finalmente, trazendo o fim a essa história.

Por não poderem falar, os seres do Pomar, criaram esta tragédia. Por isso, até hoje as Borboletas vivem apenas por dois dias. E por não poderem explicar os ciclos que a Natureza montou, deram luz, para sempre, ao ciúme.


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Por querer

Por querer.
Uma bailarina transmutável em tudo
Sem sapatilhas, com tudo nos próprios pés.
O chão é uma premissa menor
Madeira subjugada.
E, com seus próprios dedos, faz o chão.
Madeira subjugada sobre os seus tornozelos
Pau dos salões das cidades.
Prima verdade de pau.
Verdade de madeira.
Subjugada sob os pés duma dançarina.
Mulher de modelar a transformar-se. Por querer.

Diálogo com o amor do MEU amor

Então eu disse que amor é o quanto se pode oferecer pela vida de seu amado. E contamos em dias. Dias em passados oferecendo a ele todos os seus pensamentos mais importantes. Dias em que o ar foi menos importante. Dias em que o futuro deixou de existir. E dias da própria vida. Posto que me respondesse que coisas assim não existem. Que contos de fadas e músicas de Flávio Venturini são apenas desejos de artistas. Desejos sobre como gostariam que a vida fosse. Posto isso, discordei.

Disse-lhe seguidamente, que, tinha pena dela, existem os contos de fada, e o amor das fadas não é mesmo para qualquer um. Que é uma daquelas coisas que se deve ter lido Lya Luft pra ser capaz de produzir; pois quanto mais velhos ficamos, mais fácil deve ser viver a vida. Quando retrucou que quando crescesse entenderia, me livraria das ilusões, somei ainda a ideia de as complicações serem reais e existentes, mas que só contribuem para o calor. Para fazer de nós um forno ainda mais amante.

Riu de mim. Ri com ela, mas dela. Eu sou adolescente e prepotente. Ela é adaptada e fria. Caída da árvore. Repetiu o meu crescimento e firme entendimento da vida. Invoquei-me silenciosamente e aí respondi.

- Os maduros abusam da própria maturidade. Vivem a dizer que aprenderam da vida. Que o mundo é mais complicado do que nós jovens acreditamos que é. Assim, não sabem o erro que cometem ao negar-nos a saúde da vida!

Ela riu de novo. Então disse-lhe que o amor tem fim por natureza. Que o amor é quando se percebe um fogo. Se alimenta um fogo. Se explode. Parte-se em pedaços. Até encontrar uma outra grande e enormemente nova chama.

- Você que se diz madura e resolvida. Plena na vida. Você perde por sempre perder. Por que de certo sua vida é mais difícil que a minha jamais será. Por que se vive anos de um amor em que não há fogo, não ama. Jamais amou. Enquanto o amor é eterno porque é eterno, por ser eterno. O tempo no amor é o fogo. E dimensiona tudo o que é inflamável. E as horas são inúteis, pois não pegam fogo. Por que não nota o quanto deixaste a vida lhe esmurrar? Aprendeu errado, se deixou abater pelas lições erradas. E você perde. É medíocre. Fria.

Depois, pensei. Numa luz incrível que pudesse criar uma contagem perfeita. Que fizesse com que esses adultos, recém crescidos, percebessem o quanto errado aprenderam. O quanto o amor, o fogo, a paixão, as lareiras, o oxigênio e as centelhas são simples. São puras. Aprenderam com a vida justo o que não deveriam ter aprendido. Por que a vida ensina, mas ensina tudo ao mesmo tempo. Deve-se ser selectivo.

Quando a vida passa a ser mais difícil e mais difícil,é porque aprenderam as coisas erradas. Quando um amor acaba, deve-se aprender, que; acaba porque acaba. Não acaba porque não era real. Só o que é real pode acabar. A mentira nem mesmo começa.

Quando se está feliz de verdade. Se é feliz de verdade. E a felicidade é única coisa com o que não se é possível iludir. A única coisa com a qual não conseguimos enganar a nós mesmos. Não verdadeiramente. Sempre sabemos da felicidade. Feliz é feliz, e simples.

Simples, iluminadamente simples, o amor é mau e é bom. É verdade e é doente. É canhão e, mesmo assim, a bala. E mesmo piegas, é cheio de estilo, vaidoso e se acha o rei dos humanos. Quando é o rei dos artistas, dos poetas, dos músicos e dos bêbados.

- A próxima dose é por minha conta!

domingo, 29 de março de 2009

Esterno

Sabe aquele osso do peito? Aquele bem no meio. Entre os seios. Pois bem, tem um osso lá. Ou deveria ter! Eu acho que eu não tenho, não! Eu acho que eu nasci sem, ou arrancaram logo que pariu-se a morena. Ou quem sabe tenha caído com o umbigo. Acontece que ele não está aqui. Em mim as coisas entram peito adentro sem dificuldade alguma! Mas é claro que entram! Quando deveria ter uma grossa troça de cálcio e pedregulhos perdidos para proteger o que eu tenho por dentro, e não tem, fica fácil! É mais uma reclamação para o cara que está escrevendo esse romance. Eu tenho um defeito! O buraco aqui no peito está sem tampa.

Pois que já há algum tempo entrou uma bola de fogo. Alojou-se, e o pior, seguiu-lhe o universo inteiro! Entrei até eu mesma de novo, tragada por um punho pulsante lá do fundo de mim. Ofeguei cansada, no inicio. Foi um pouco desconfortável. Tive umas mudanças de humor. Uma azia horrível. Mas superei.

Mais tarde entrou uma abstração confusa. Uma tara por usar palavras! Um tesão pelas letras! Entrou líquido e sorrateiro, e, quando vi já estava no sangue. Borbulhou! Ebuliu! Tive de mergulhar no mar mais profundo para liquidificar a arte. Pois, me desculpe, ainda não tenho tampa nem estou cheia. Sorvi o mar inteiro.

Agora as praias são meus peitos e as baleias, as algas, os peixes, as águas vivas, todo o plâncton e os biólogos marinhos nadam em mim. Ano passado mergulhou um. Ainda está aqui. Acho que resolveu explorar demais e invadiu outras partes. Achei bonito, prendi-o nas trompas. Inteligente, anda sobrevivendo. Ele dói às vezes, mas isso é coisa de poema.

Acontece que, problema eu tive mesmo, Doutor Escritor, quando as coisas intrusas, e eu as andei aceitando sem saber, começaram a brincar com a única coisa que já estava aqui dentro. De braços abertos, espiando para fora do buraco, as mãos agarradas num punho cheio de cordas, estava a voz, o som. Nossa! Custou! Só agora consigo vislumbrar como ela conseguiu por ordem nisso tudo. Arranjar quarto pra todo mundo dormir, lavar as roupas, fazer o jantar para tudo o que entrou! Imagine que agora a matriarca resolveu se enfurecer! Resolveu pôr todo mundo pra fora! Logo agora!

Romancista, eu não quero faltar com o respeito, mas se não dá pra consertar o defeito e me arranjar uma tampa, por que agora já era... O senhor podia pelo menos arranjar uma mão para entre os peitos. Alguém que de vez em quando me fechasse. Não precisa ser sempre, que eu bem gosto de sentir esse bando de coisa. Mas só pra silenciar o sol, o universo, o mar e os mergulhadores algumas vezes! Ninguém cala a minha voz! E nem me preocupa, que atravessa tudo o que tiver no caminho. Nem se tivesse tampa ia deixar de ser ouvida. Eu só quero mesmo uns minutos de calma. Se vierem uns beijos macios e umas mordidinhas de leve, vai ser bom também. Se puder dar um jeito nisso, seria de grande ajuda. Muito obrigada!

Ah! Só mais uma coisa, o final deste capitulo está chegando. Vê se não deixa muita coisa pra resolver depois! Você se enrola e no final põe a culpa em mim!

A flor

Há uma flor que costumava se abrir todas as manhãs
Ela não mais se abre, mas eu ainda a amo.
Queria abrir a porta da minha varanda todas as manhãs
e abrir pétala por pétala!
Mas não posso,
A flor sou eu, moramos no mesmo jardim.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Prezado Deus,

As coisas aqui na terra vêm se mostrando confusas para mim. Não entendo como funcionam e queria pedir uma explicação para tal. Por exemplo, como é que se dá essa coisa de ser possível perceber sorrisos amarelos? Eu digo, por que conseguimos perceber o que as pessoas não, de forma nenhuma, demonstram? É como se a gente pudesse ver através delas. Estranho, não acha?
Outra coisa também que vem me aborrecendo é necessidade de se usar roupa. Por que não podemos simplesmente andar nus? Ta fazendo um calor absurdo e o senhor concorda que os homens estão bem mais formosos hoje em dia com essa moda de academia. Não é que eu esteja cometendo o pecado da luxúria! O que é isso?! Longe de mim. Mas é mesmo por causa do calor, que aqui no Brasil a coisa ta ficando russa! Ou melhor, generalizadamente nordestina.
Só mais uma coisa, e eu prometo que não é mais uma reclamação. Eu queria saber como são as regras para que os nossos pensamentos se realizem. Pode isso? Quando a gente pensa em alguém e está suficientemente distraído para a mágica acontecer, ela aparece mesmo? Só se estiver bem distraído mesmo!
Imagine que isso vem me acontecendo mais do que deveria! Me explica as regras, Deus!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Sobre o quão pequenos somos

Eu amo o que eu vejo e ainda mal sei ver

E amo música e ainda mal sei ouvir…

Amo o que ainda me é tão pouco…

Então se amo o que ainda é,

E gosto das coisas como as sinto agora,

E mal posso caber em mim de tanto amor por elas que sinto!…

E mal posso vê-las pela metade, quem diria por completo?!…

E não agüento o quanto imensas elas já são dentro de mim…

Se isso, o quê de quando forem de seu tamanho real?

Ou mesmo pouco maior do que as posso sentir?

Se sinto-as tão pequenas partes de mim

E ainda assim me sinto transbordando delas,

Serei eu cada vez maior e mais sensível do que sou?

Serei eu cada vez menor e me conformarei com a ignorância de não saber da totalidade das coisas, sem nem mesmo tê-las buscado?

O que será de mim quando eu ouvir tudo o que a música tem para tocar…?

O que será de mim quando eu puder ver tudo o que ainda falta para ver…?

Explodirei de tanto, e acabarei?

É assim o verdadeiro final das coisas?

Encher-se de tudo como um balão e finalmente não caber mais?

E será que todas as coisas chegarão um dia a caber tudo o que há?

Que coisa será eu? Caberei eu um dia em mim mesma?

Segredos

No mundo nao há como saber de todas as coisas
Tudo no mundo que é de conhecimento de alguém,
é de alguém segredo inalcansável
Pois o saber de tudo o que há é um secreto prazer…
feito apenas para os deuses
E disso não há escapatória.
Pois todos conhecemos a fama dos deuses,
Egoístas e malvados, poderosos, que guardam tudo o que é tudo.
O tudo é um segredo.
Que serão essas coisas que nem sabemos que sabemos?
Que serão as coisas que compreenderiamos sobre tudo,
se soubessemos todos os segredos de cada um,
cada um que não sabe nossos segredos?
Que elfos e que príncipes não escondem?
Que anjos não dormem debaixo da cama dos segredos que ignoramos?
como podemos saber do que existe e não existe,
se não somos deuses e não sabemos do tudo?
Como nós, pobres seres humanos, tão pequenos e ignorantes,
petulamos dizer o que existe e o que não existe?
Que fadas? Que demônios?
Que fantasmas? Que finais felizes?
Que amores? Que homenzinhos verdes? Que cidades de ouro?
Que segredos?

Só dois para um romance apaixonado

Só os apaixonados têm o poder de sair-se de livros

Como se fosse, a capa, um portão sem tranca!

Mesmo assim, só em pares…

Só se forem dois!

Ah! Pobre! Mas se for apenas um…

Um apenas

Este único será entregue ao escárnio da realidade…

Este sozinho é linchado pelo ridículo,

E encontra o portão das metáforas fechado…

A natureza da Beleza

A beleza há

Em todas as coisas que andam sozinhas e passam pela minha janela

E há tão completamente, que mesmo se vê,

E a beleza passa e se diverte de si mesma.

Pois é bonita.

E bonita, a beleza é a lindeza em si.

Que as belezas mais lindas são as belezas sem adornos

Pois o que é solitário e passa pela janela é completo

Com janela ou sem janela

Mesmo sem observador…

É inteira

É a existência da beleza.

E só.

Sobre cartas de Amor

O amor nos prende das formas mais absurdas. Declarar o amor já uma idéia absurda por si. Por que amar já subentende o medo de não ser amado. Por que nós amamos para garantir que alguém um dia nos amará. Dar e receber. Talvez sejamos assim. Então se declarar é tão complicado que eles (eles quem?) criaram até uma profissão para isso. Artista! Claro que não deu certo, (como tudo que eles fazem) porque os artistas resolveram alargar seus limites profissionais e falar sobre tudo com aquela linguagem complicada de artista. Mas isso é um assunto para um outro comentário. Basta dizer que essa profissão complicada desvalorizada de vida filha da puta (para quem as vive! Porra!) foi mesmo criada só para que o amor que existe na superfície fosse declarado, posto as limpas, branquinho de água sanitária… É claro que os artistas, sacanas do jeito que são, resolveram falar do que é negro e está nas profundezas também. Mas, enfim… Como se fazem as cartas de amor?

Para declarar o amor é preciso aceitá-lo. Não há como deixar alguém saber dos seus sentimentos sem entregá-los completamente a ele. Seus sentimentos devem ser do outro, a decisão tem de ser do outro. Porque quando somos donos do nosso próprio amor, a decisão é nossa e o poder é nosso. Quando ele permanece em segredo. Um amor é um jogo de poderes. Para se escrever uma carta de amor é preciso enviar o seu amor de presente. Perder o controle. Deixar de mandar. Ditar as regras. Vulnerabilizar.

Eu amo há muito tempo. Mas nunca perdi o controle.

Carta de Amor

Meu amor, haverá tempo em que serei mais que uma pobre sem metafísica? Meu amor, como as pedras que são e sempre serão pedras, e não tem nenhuma fórmula que as faça evoluir à pássaros ou árvores ou ninhos. Será que serei, um dia, ouvida como algo mais que uma pedra?

Que penso em você todos os dias. E aceito isso. Será, meu amor, que é esta minha metafísica? Como os óculos que são seus e você os põe toda manhã depois de lavar o rosto, toda manhã abro os olhos e não sou capaz de escolher uma teoria que te exclua da minha vida. Será essa minha filosofia? A metafísica de ser sua? Porque visto o meu amor toda manhã, como você veste os óculos. Porque precisa deles para ver com clareza.

Meu amor, como estão seus olhos? Ainda querem ser verdes? Como anda a sua boca? Ainda virgem da minha? Confesso que já não sei. Não mais sei do real e do incerto, tantos os devaneios de saudade em que me meti. Já não sei mais o que realmente vivi, ou o que realmente sonhei. Tudo me parece real. Tudo é verdade em mim. Mais verdade que qualquer outra. Mais verdade que o chá que tomei esta manha. Porque tomei o chá pensando se estaria tomando chá comigo. Você é realidade em mim. E eu aceito isso. Mas como anda, meu amor, em você? O que é, de nós, realidade para todos? Sofro. Que minha realidade ronda sua casa e não é capaz de entrar. É capaz de me ouvir? Estou cantando.

Ouça-me. Pela última vez antes que eu pare de cantar meus versos. Ouça-me. Por favor, ouça. Diga-me, serei sempre a pedra que veste seus óculos?Quero ser pássaro, árvore, ninho ou terra fofa ou nuvens…

Meu amor, ouça-me.

Sobre o grande escritor do mundo

Queria ter saído, eu, de um livro de romances!

Porque assim as coisas caminhariam pela vontade de alguém

Como se deus fosse de fato um escritor

E não apenas um criador

Assim as coisas seriam da parte pelo todo

Propositalmente bem encaixadas

E os diálogos não ousariam mais que polissíndetos e aliterações…

E mesmo que as comparações não tivessem em si…

Um como, ou do mesmo modo…

Seriam, assim, propositalmente comparações…

Interligando ainda mais as coisas…

Se fosse eu Capitu pulada da página

E do poder que tinham seus olhos oblíquos,

E fosse meu amor o Pequeno Príncipe…

E dele fosse o amor das raposas…

Então a vida seria mesmo tecida por um só homem com uma pena.

E se fosse assim…

Oh! Vida! Se fosse…

Não seriamos, nós, frutos das vontades…

Vontades nossas e dos outros

Desejos quaisquer de cada um que de fato exista ou tenha existido

Seriamos, então, fruto de uma só coerência.

E não da coerência de tantos que não fazem coerência alguma

Livre então das imprevisibilidades da vida.

Teríamos então o requinte de um final bem pensado,

Um começo arquitetado.

Seriamos, nós humanos e criaturas vivas, plantas à pena de um nobre arquiteto…

Um nome só que tivesse uma mente só, por mais divina que fosse…

Esse escritor nos governaria a caminhos que merecêssemos…

E não seria um Deus cheio de benevolência que muitas vezes tenta em vão

Salvar-nos do que decidimos divino.

O que há com as cebolas?

Porque as cebolas estão pequenas e mirradas? Fui ao supermercado esta tarde e notei esse fenômeno doméstico. Mas o fenômeno não é o fato de elas estarem feias, pequenas e pouco atraentes hoje. O fenômeno é que elas têm estado assim. Desde que fui fazer compras de cebolas no mês passado, quando eu quis inventar um molho de macarrão. Notei desta vez e me atentei hoje à tarde que elas continuam assim. Como não sei nada de cebolas ou sobre como deveriam ser normalmente, ao contrário de pouco desejáveis, resolvi pesquisar sobre elas. O que são cebolas? Para que nos servem? Como são cultivadas? O que as atrapalha?

O resultado dessa pesquisa foi muito interessante. Primeiro eu adicionei ao meu vocabulário as palavras; flavonóides, sulfóxidos de cisteína, compostos organosulfurados, antocianinas, bulbos, quercetinas, anticarcinogênicas. O que eu achei sinceramente muito divertido, porque não quero pôr nos meus filhos nomes bonitos como Paulo, Pedro, Sarah, Laura, e outros. Também porque cebolas passaram a ser, para mim, coisas interessantes de se homenagear…

Segundo, e mais importante resultado, foi que descobri que as cebolas são hortaliças. Hortaliça é tudo o que é vegetal, cultivado em horta e cujas partes, todas, são comestíveis. Vegetal é tudo o que é planta. O valor nutricional da cebola é sem igual, pois é nossa fonte de um mineral chamado selênio, este se em deficiência gera catarata, distrofia muscular, depressão, necrose do fígado, infertilidade, doenças cardíacas e câncer. E ainda tem o bônus de oferecer proteção contra doenças relacionadas ao envelhecimento. Então, louvemos as cebolas por passarem despercebidas e ter tanta influencia nutricional para nosso organismo. E mais.

Mais que agora sei sobre cebolas, é que elas precisam de certas características climáticas para a produção comercial de seus bulbos (a parte da gente, de fato, comer), e quando não são cultivadas nessas condições elas ficam como eu as notei no supermercado, pequenas, murchas e apodrecem rapidamente. Que condições são essas?

Para ficarem atraentes e convidativas as cebolas precisam de bastante exposição ao sol, algumas espécies necessitam de mais de quinze horas diárias, e temperaturas altas, em média de 15° e 25°. A umidade é a principal causadora do apodrecimento precoce, em qualquer fase do crescimento da planta. A temperatura muito baixa pode causar o florescimento precoce, o que faz com que os bulbos não se formem. Acredito que o amigo leitor ainda não tenha notado o problema que atingiu. O problema sobre cebolas.

Acontece que moro em Nova Friburgo, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Um dos principais problemas sociais desta provinciana cidade no verão é o número de desabrigados. Desabrigados por causa das enchentes. Chuva! Chuva, meu caro amigo! Exatamente o que acaba com a produção de cebolas!

Assim, encontrei o problema. Por culpa do aumento de chuvas do verão, nós comemos cebolas ruins. Feias. Cebolas que não passaram batom e ou pentearam os cabelos antes de ir para as prateleiras, cebolas que não estão estonteantes e irresistíveis! E isso resolve mais uma questão doméstica sem importância que não afeta nossas vidas, mas que foi muito prazerosa de se responder! A propósito, o molho de macarrão daquela ocasião não deu certo. Ficou bonito, mas com gosto de cebola velha.

Esse é o primeiro texto escrito para o meu projeto! Que progeto?! O progeto que visa fazer de conhecimento de todos, os pequenos segredos. Quem sabe um dia consigamos ser todos deuses?

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Fico atormentada quando me perguntam o que eu vou ser da vida.

ARTE!

E me perguntam:
Que arte?

Eu não sei se eu quero pintar, dançar, escrever, atuar, cantar, cozinhar!

Eu quero fazer arte!
A arte que sair!
Arte que se come...
Arte orgástica

Como dizia William Bake...

Meu negócio é criar!O quê, não importa.

E complemento ainda..

Não importa desde que eu seja instigante e vibrante!

terça-feira, 20 de maio de 2008

Coisas de Almas Antigas!

Eu ainda sou do tipo antigo de pessoas que gostam da diferença da vida e não tem preconceito com as cousas. Aquela velha história que Fernando Pessoa escreveu tantas vezes em tantos papeis, perdidos por aí, mil vezes ou mais, lidos pela mesma pessoa. De que somos o que vemos e fechar os olhos para pensar pode ser bastante alienante, pois enxergar o mundo com a decepção de quem já viu melhor em sonhos pode ser doentio e limitante! Por que como ser feliz sem admirar as cousas e encontrar nelas todas as dúvidas universais e… Gozar com elas a capacidade de compreender que se você estiver tranqüilo é capaz de suportar que esteja dentro de você a busca por todas as respostas? Irritantemente compulsiva, mesmo que não esteja notando. E ainda conviver com a certeza de que não adianta quantas respostas tiver que só vão gerar mais perguntas!

Alegria, alegria. O tempo passou e almas do meu jeito sobreviveram! Graças a Deus, porque todos devem concordar comigo que as agonias dos leigos de Fernando Pessoa já estavam gerando algumas chatices mundiais potenciais! Engraçado, mas mesmo que eu queira dizer nome por nome só vou dizer um, como um relâmpago, porque nada me fará adiar comunicar o que quero agora. Jorge W. Bush!

Eu, pessoainha nova de alma antiga, daquelas almas que dançam ao redor de flores com vestidos(aqueles amigos do vento) e asas, sou daquele tipo que gosta de sentar e escrever! Assim como agora, nada complexo e gigante. Um sucesso de vendas ou qualquer coisa. Escrever pelo atraente e sorridente prazer orgástico de mexer os dedinhos deixando a alma esvair pelos dedos. Assim como dançar com vestes que amam os ventos em jardins que ninguém nunca viu!

Escrever é a dança dos que não sabem passos e não conhecem a BioDanza! Como quando ainda não se tem os vestidos e os jardins… Como quando o espaço de fora não é capaz de conter o espaço de dentro. Aí! Bem nesse momento a única cousa que sou capaz de fazer é me sentar e pintar letrinhas num papel. Fingir que sou dona do universo e criar espaço que me contenha. Ainda que seja mesmo aqui por dentro, por entre os nervos, debaixo da pele.

Essa alma antiga que leu pelo menos um poema de cada autor que conhece,(e deu a sorte de ser o poema certo), que se senta para esvair-se e ainda desenha os vestidos do vento para encontrar o perfeito alfaiate, que não vê as coisas antes que possa vê-las, está louca pelos amores do mundo e garante vida às entranhas e às rimas inevitáveis. Essa é uma alma que sente o mundo como quem já olhou várias vezes e ainda não viu tudo! Desatenta, coitada? NÃO! Desfocada! Essa alma que está explodindo dentro de mim… Por quê? Por que tanto? Porque viu o que alguns não viram e deixou de ver o que lhes cansava os olhos… E cheirou e tateou, e ouviu… Ah! Ainda ouve… Degustou, cantou tudo o que olhou, e o que sentiu escreveu aqui.

sábado, 10 de maio de 2008

Mercado de trabalh0...

Mudei de idéia...

Denovo...

E denovo..

Meu projeto de vida agora ér sumir daqui por minha própria conta...

A primeira oportunidade que eu tiver eu vou embora...

sexta-feira, 25 de abril de 2008

A grande diferença entre o será feito a partir de agora e o que já foi feito é que vai sre tudo diferentes... Chute os pudores, as converções, faça uma coisa erradinha aqui... e uma bem boa alí... e vai vivendo assim... Nada certinho demais porque é chatinho demais...

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Canto que eu quiser!

Moram em mim dois corpos que não se entendem
Não se lavam
Não se temem
Um em cada luz, como dia e noite que se opõe
Colho dum as flores já secas
D’outro ouço as histórias.
Ao som duma ladainha que nem mesmo treme.

Lavadeira de Pensamentos

Morena de fogo,
Dos cabelos enroladiços,
Da pele dourada, das cadeiras quentes.
E olhos cor de madeira dura,
Por que me vens tão de repente mudar meu hábitos e minhas mãos?
Por que pões fogo em minhas cadeiras e me deixa só,
de estudos e histórias pra contar?
Por que existes, morena, dentro de mim?
Por que surges de labaredas vermelhas
e afoga as gotas nos botões de flores?
Por que, morena, tão de repente há tantas morenas na morena que há?

Morena de Fogo


Não tenho história pra contar.
Sou o fogo que queima a relva...
Queimo, pois é hora de queimar...
Danço, pois é hora de dançar!

Porque perguntas tanto, menina?
Não há respostas para te dar...
Cansei da vida de lavadeira de pensamentos.
O rio corre, pois é hora de mergulhar!
Brena Marino -

Nasceu na pequena cidade de Rio Bonito e 1992, atualmente com 16 aninhos, Ainda não fez naaaaada de importante e concreto, apesar de todos os seus progetos para fazê-lo. Escreveu essa breve biografia e foi fazer arroz para a mãe não ficar cansada...

E ainda dizem que existem futuros que promentem!
O Desânimo é parte tudo quanto o prgeto é que ele se converta ao próprio contrário!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Canto de hoje...

Respirei fundo quando ele entrou. Não sabia que havia chegado a este ponto. As borboletas em meu estômago não se sentiriam ofendidas se fossem chamadas de morcegos, pois o tamanho já tinham. Verdade que, com minha condição física, não tardaram a doer as assas dentro de mim, frágil. Traguei o ar mais uma vez e a concentração reapareceu. Por mais que a figura dele fosse tão importante, o futuro de papel nas mãos era infinitamente mais brilhante.
Meu futuro, nas mão de uma escolha tão simples, já pendia de um fio de cabelo, se eu não lhe prestasse a devida atenção... Que seria da minha vida? Palco, gente olhando pelo buraco da fechadura e pão amassado pelo diabo? Ou lugarzinho escondido na beira do rio com papel e caneta?
Não era preciso o velho Olavo, terapeuta da minha mãe, aparecer e me dizer o que estava havendo. Minha pouca experiência lendo livros de Machado de Assis e Jorge Amado, um de cada um, eu admito, já me dizia. Sim, porque certamente que se a cor da minha pele permitisse, me faria cor de pitanga toda vez que o ouvisse passar, ou que tentasse timbrar com a minha a rouquidão da voz dele. Era claro e debilmente infantil.
Compondo que grande parte disso é minha carência natural, a metade do que resta deve ser referente a minha desavançada idade. Mas garanto que, igualmente competente a minha juventude, minha prepotência em ser mais adulta do que deveria ser anda me dando apunhaladas nas cotas.
O desejo passa a ser simples. Que a prepotência cresça em Proporção Aritmética, porque se tender a geometria, casarei-me com Matusalém.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

o canto do morto desconhecido...

Vi-me numa sala com o corpo nas mãos. Uma velha coberta de flores, uma daquelas velhas que já viveram tanto tempo que não se acredita mais que vão morrer. Eu não acreditava que estava morta. Na sala, para mim, encontrava-se, apenas, uma pessoa que dormiu muito zangada. E velha demais para acordar contentou-se em continuar sonhando. Sonhava que era jovem, aqueles antigos balanços nos quadris, a visão quando não era gasta e rebeldia adolescente. Não ela não morrera. Era a avó de alguém que dormira zangada.

Liguei-me a lembrança de que poderia ser a minha avó. A que não morre. Que parece desnecessária, mas nunca é esquecida. Quando seria a vez em que eu estaria aos prantos e inúteis consoladores poriam as mãos em meus ombros? Não. A minha anciã deveria ser protegida, pois ao contrario da mulher zangada na sala, era minha e sua falta seria sentida. Afastei-me da preocupação quando a vi caminhar em minha direção, mais preocupada comigo que eu com ela.

O cheiro de rosas mortas era insuportável e a ladainha começara. Canção de gente que é católica há muito tempo. Que acha que a oração vai pra cima na marra; empurrando uma a uma. Corre a música de um tom e corre a tia supersticiosa para que não saíssemos na frente do cortejo. Morto a gente segue de trás que é pra que ele vá mesmo primeiro que nós.

Uma boa hora para se chorar o que estava preso pela goela. Ninguém pergunta. O suposto motivo está ali. Zangado, dorminhoco da juventude, avô de alguém.

No outro dia, nada se ouviu falar. Quem mora na hora certa não deixa saudade?

terça-feira, 1 de abril de 2008

O que será que vai ser de mim daqui a dez anos?
Espero que eu estje amorando em outro lugar conhecendo não outras, mas mais pessoas...
E contínuo me perguntado se há algo bem ruim reservado pra mim ou se as coisas vão ser assim tão fáceis...
Porque para tudo que é minha dor... há quem tnhe ador maior...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Fui violentada.
Minhas dúvidas foram corrompidas em certezas.
O veradadeiro é o que duvida de tudo.
E não sabe para onde vai.

sábado, 1 de março de 2008

A casa ainda está lá...
A sala ...
Os quartos...
A mobília não se foi.
As almofadas ainda acolhem.
Mas aonde vão os acolhidos?
Resta eu, os livros e a Tv.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Canto nonagésimo

Estou passandopela mesmo ru esquisita de sempre.
Infinita e pouco pura.
Estende-se por mim.
E me vou andando.
Pisando em minhas pedras.

Aí que me dá um cansasso.
De tanta pedra que meu corpo dá.
E quanta pedra tem pra catá!

Tem mesmo estrada que se tem de limpar?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

The Phantom of the Opera

There is this movie that I have been watching more than I'm suppose to. The Phantom of The Opera.
A film that have this magic about good and the bad that is wonderful. Just because it doesn't have what we call Manichaeism. The Phantom, the char that is the title, is just what we call a "victim" bad guy. I mean, he is a freak. But he also have something that is charming and good; by the point he just not harm Miss Christine Daee, the princes of the movie. One of that princess that are just not much intelligent, but, certainly, very beautiful. If I were her i would stay with the Angel of Music, The Phantom, just because he is, as the name, "of the music". But this is not my point.
The point is; what is a bad guy? Are there people who really are bad? Who really doesn't want to see someone ok? Just because of it? A men in French, too many years ago said that we are all fruit of the society. Do we believe in that? This dubious chair that has bored with a horrible face and is execrated for society is just fruit of it. It’s in the movie. His case is really specific. I don’t mean that I have met a Phantom in my life, because of course not. I mean: Wow! Including myself, what dam society we have built for doing it with simple possibly to mold babies? We have not this right!
We have not the right of say our own rules and don’t allow them escape so severely. Because something like the Phantom of the Opera or the killer of the park can appear. Or maybe just someone who creates it’s own truth and struggles to protect itself, self hurting and others. Just being called a strange person. I’m sorry. Apologizing for the part of society that is my fault. Why am I writing it in English? Somehow, tell my fillings, the true ones, if not in a poem, sound better in a language that not everybody around is able to understand. Am I defending myself? Everybody has it part. Behind an aggressor there’s always anagressed.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Puramente verdadeira cai sobre mim a vontade inventiva...
Cobre-me amplamente.
Ergue-me da cama pela madrugada;
E me controla os pés inquietos pela sala.
Não há mais belo broto á nascer em mim.
E não houve gestação mais incômoda.
Enqunto o feto se remeche e nos altera por dentro.

Daí me abre e sair correndo pela casa hiperativamente.
bradando palvras desconhecidas e sem sequencia...
E quando finalemnte tem controle de si.
Arma-se de cordas, prende-me a uma cadeira e me abre os olhos.
E me controla os dedos...


Brena Bela

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cai amplo o frio e eu durmo na tardança
De adormecer.
Sou, sem lar, nem conforto, nem esperança,
Nem desejo de os ter.


E um choro por meu ser me inunda
A imaginação.
Saudade vaga, anônima, profunda,
Náusea da indecisão.


Frio do Inverno duro, não te tira
Agasalho ou amor.
Dentro em meus ossos teu tremor delira.
Cessa, seja eu quem for!



Fernando Pessoa



Ótimo. este poema está aí apra mostrar o que eu desejo serm, sem esperança alguam de conseguir.

Abri este site de poemas de fernando pessoa e peguei qualquer poema. E era maravilhoso como este. Taí uma pessoa de quem não se precisa temer encontrar uma coisa sem sentido. Porque não há. Fernando pessoa.

Minha ansiedade por ser tal referencia bibliográfica me faz tanto desanimar quando querer escrever.

Fácil? Difícil?

Boa pergunta...



Além disso. Estive pensando em algumas coisas. tenhos questões a levantar. Se alguém vive a vida toda dentro de um apadrão sem desastres significa que ela pode esperar um bem grande aconecer, ou simplesmente que ela está lidando bem com os desastres que lhe foram dados?

sábado, 29 de dezembro de 2007

Canto XXX

Andava por aí pensando em como estar bem com todos.
Me vinha a minha cabeça toda aquela história.
Todos me odeiam.
Por isso.
Por todos os motivos de sempre.
Mas o bom mesmo...
Para ser sincera.
É juntar com as primas e falar mal dos pais da gente.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Mergulhar nas águas de um rio corrente não é o que se diz.
Há de se confiar nas águas.
Pular limpo sem esperar que a correnteza o faça.
Porque para sentir a verdadeira força do rio,
é preciso respeitar.
Deixar que o possua com júbilo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Canto XXII

A vida não é vida se não pudermos achar nela quatro pontos fundamentais de existencia: A sociedade. Deus. O sentido. E a sensualidade. Indispensaveis... Naturais no ser humanos.

Sobre a asociedade. É o que todos dizemos ser inerente ao ser, mas ela mesmo nos obriga fazer parte de seu circulo seletivo. Mas assim, quando pequehnos, inseridos sem volta.

Sobre Deus. A única resposta que basta para todas as perguntas. E simples assim.

Sobre o sentido. A busca pelo sentido é o que alimenta os filosofos e os artistas e, assim, os faz alimentar o avanço da sociedade e humanidade.

Sobre a sensualidade.

O corpo. o fogo.
O movimento.
É o que garante a sobrevivencia perante as maldade da bruxa má.
O momento.
O andar.

Sobre a vida. Ta aí.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

ahhhh
Ando pelas ruas e os olhares me seguem....
As flores me seguem
O rio.
As nuvens...
As bengalas dos velhinhos...
as gotas de chuva....
O bêbês sorriem...
As joaninhas batem palma...
Mas o que há com as todas estrelas que, durante a noite, não me olham?
O que há com o poder todo que há?
Ha!Ha!ha!
A mentira vem brincar...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ouvi essa frase uma vez do meu pai...pode já ter sido bastante dita...mas complementa...

Deus não joga xadrez com os homens...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Canto XXI

Porque eu acredito em Deus.

Permitam-me fazer uma pequena observação sobre o assunto: se Deus é como andaram me dizendo durante o fim de semana, não o amo, nem temo. Não gosto deste ser chato e nada poético. Um Deus não pode ser simples, estático, previsível tal como: uma rosa é uma rosa. Por quê? Por que é, ora essa! Se Deus é chato, e os céus lugar morno e sem vibração, não tenho a mínima vontade de dar uma volta por lá. Na verdade, acho que recusaria.
Deus não é estático nem pode ser definido com um “ora essa”. O que aprendi sobre Deus veio de respostas a perguntas insuficientes: Quando? Onde? Como? Quem? Quanto? Embora desconfie que a verdadeira pergunta, cuja resposta prove a existência d ‘Ele possa não ser nenhuma destas, ou jamais possa ser formulada.
A questão não é saber o quanto Ele é bom, ou que criou a terra numa semana e descansou no domingo. Que fez primeiro o mar depois a terra, ou vice e versa. Ou até mesmo se foi Ele que o fez. Porque essa história toda de sete dias, terra, mar, Adão e Eva podem até não ser verdade. Quantos tabus eu já vi cair nessa minha curta existência. Afinal, gente trocando de coração, rim e córnea hoje, na Idade Contemporânea, é muito normal. A questão não é mesmo essa. Por quê?
Quando pergunto se Deus existe a maioria responderá, com certeza, um grande “Claro! Ora essa!”. Mas se pergunto: Por quê? Gaguejam e não respondem. Por quê? Provavelmente não haja respostas. E não haverá jamais. Porque uma possível resposta, em sequência, será questionada indefinidamente. Um carro sem freio. Cuidado! A gente pode acabar descobrindo que a galinha nasceu primeiro que o ovo (tese que eu sempre defendi) Aí estará DEUS.
O que torna Deus tão maravilhosamente existente em nossa vida é porque não há porque existir e, mesmo desta forma, responde todos os outros porquês que já feitos. Porque é, assim, um paradoxo. É a resposta para a própria pergunta.
Seria bom se tudo se resumisse a figura de um velhinho japonês (ou seria paquistanês?) que sabe demais, enfadado desta bestidão toda de não existir e saber de tudo criou coisas com vontade própria afim de, observando, se surpreender. Criando, a essa coisa o criou. Imagino-O sorrindo de nossas dores primordiais e angustias existenciais, atolados em tarefas inúteis em busca, imagine só, D’ele. O velhinho, mesmo como o fanatismo sufocante, pega nossa mão quando a cuca vem pegar. Faz cosquinha no boi da cara preta. Assim, justificam-se tantos motivos para amá-lo. Conte-me a história de quem não ama o vovô bonzinho.
O resto, louco e pouco provado, como é; não importa.

Canto XX

Entrei numa onda de torpor
Ouço vozes mas não as compreendo.
E nem o quero.
Me vou indo sem ir numa frequencia alheia
Minha cabeça gira
E também tudo parece falso
Também, tudo gira
A paisagem parece falsa
Que adianta ser verdade,
Se sinto nauseas dessa realidade?

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Canto XVI

Sobre a dança

Há este grito de loucura
sobre meus pedaços no chão
Ergue tudo e possui tudo, essa paixão
Engravida meu corpo que lhe é combustível,
Desta possessão de mim por meu eu
E sou puro grito e sofreguidão
Sobre as ponta dos pés sangrando

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

CantoXV

Não tenho medo do que fui, ou do que sou
Não há razão para temer os paradoxos
Não há razão para temer o caos
Vivi tudo como quem bebe um copo d'água

A loucura não me punha entrada pela qual sair
Posta no meio só fiz continuar andando.
Dançando em teclas de piano.
A vida é um caos porque é um paradoxo, ou é um paradoxo porque é um caos?

A confusão não mais me confundia, confusa estive?
Tudo que fui, mesmo que sendo, o futuro serei?
SE continuo andando, paro, fico, ou me estagnei?

Não há razão para temer o que não se entende
Minha natureza é um vasto campo gramado.
Não há caos ao qual não me adapte, ou paradoxo que não tenha amado.
(Brena Bela)

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Canto XX

What can I say about what I write here...
Nothing...
Nothing in everything...
Anything in all the things...
Ah! I can't forget...
There is'nt anything that can be a thing....
So...
Whatever...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Primeira aula de Piano/Teoria musical....

Isso significa que eu estou confusa pra todos os lados...
A vantagem é que estou dando nome aos bois....
Estou pondo nome no que eu já sentia antes...
Esquisito, não?

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Canto IV

EM Busca do Equilíbrio Parte II

Equilíbrio.

O caos grita todos os dias!
Então eu grito!
E que gritos seriam suficientes?
Quantos?
A quem?
Quando?
de quantas bocas?
Até quando gritar?
E então vou ter de parar pela linha da compreensão.
Não ter de explicar o poema.
Parar para não ter que cair!
Ou para não ter que ficar!
Parar para continuar a gritar!
O caos grita todos os dias.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Ainda em busca do equílibrio.
As coisas não se a traem se forem iguais.
O que faz beleza é o branco no preto.
O feio no belo.
O matemático e o poeta.

Procuro não ser tudo.
Porque eu sei que posso ser oq eu der na telha de quem der na telha.
BUsco ser o que der na telha!



tem dia que a gente só escreve merda...

sábado, 13 de outubro de 2007

Canto XIII

Me perguntaram uma vez oq ue eu queria saer quando crescesse... Eu respondi. Quero ser artista. Mal sabia que havia vários tipos de artistas. Artistas que tem seu humor específico. Em ensaios específicos. Para artes específicas.

Fui observando e descobri que para ser pintor, além de ter boa visão, tem de ter suas mãos, ou pés, a sua disposição para fazerem o que sua mente desejar. Eu smepre fui a garotinha dos membros incontroláveis. Não era para mima pintura.

Para ser bailarina, eu teria novamente que me meter com as minhas perninhas e mãozinhas incontroláveis! Fiz dois dias de balé. Uma aula de dança do ventre. Assisti a uma aula de sapatiado. Não era pra mim também. E eu não sei sambar ainda.

Daí eu achei a literatura. Me nefiei nela de corpo e alma. Você só precisa sentir. Conehcer a língua e ser criativo. NInguém mais.

Mas cabei vendo que eu precisava de algo mais vivo na literatura. TEATRO. Eu tô falando de Teatro. No teatro impera a vivaciadade da emoção inverocímia. Mas também o extresse dos ensaios. A prepotencia de alguns! A incopetencia minha. An=inda tenho dúvidas. Ainda mais porque descobri a vida da literatura. E vou vivendo dela.

Não depois mais durante tudo. Vivi a música. E descobri que mesmo sabendo pouco. É oq eu realmente quero aprenser. Há, na música, algo de mãe das outras artes. Como algo que tenha sempre existido. Mesmo que não. Mesmo que não seja capaz de lidar com a música, faz parte dela. Ama, mesmo que não seja são.

Eu só queria comentar.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A música não é o que se ouve e gosta e ama e faz. Você é feito pela música.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

CantoXII

O que há de errado com a solidão, pobre moça da cor da lua, que a faz ser regeitada pela grande massa de pessoas saudáveis não é o simples fato de ser uma solítária companhia. Estar sozinho pode ser extremamente agradável.
De errado com a moça da lua é que quando andamos perto dela, nem ela nem ninguém olha para a maneira como anda; se cair, pobre de você. A moça olha e não se move. Se alguén lhe parar, a moça olha e ora se vai, ora fica, se agarra e pisa no seu pé irritada.
Como se livrar desta compania, por mais dolorido que seja dar um fora na bela moça, não é uma tarefa tão difícil. Basta olhar fixo em seus olhos e gritar "Vai embora!". Alguém vai ouvir em enchotá-la para fora.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

CantoXI

A cena vista dali era como de cinema. No topo de um pequeno monte, sob a sombra de uma arvore de primavera, recostada na única pedra, estava ela. A mulher mais linda, posta no mais lindo vestido florido.
Lia um livro que, apesar de ele não conseguir ler por causa da distancia, sabia qual era: “Obras completas de Florbela Espanca”. Ela costumava dedicar-lhe a leitura de alguns desses poemas.
Observando-a, sua mente voltou ao passado, ao momento em que se conheceram. Dezenove anos antes. Nas estantes mais profundas da biblioteca da cidade, estava ela. Discutia com machado de Assis como discutia agora com Florbela. Ele não resistiu, sentou-se ao lado dela e, por mais que tenha sido por meia hora, apaixonou-se. Uma hora, já a amava por inteira.
Caminhou lentamente pelo monte até que estivesse sobre a sombra da árvore ao lado dela e beijou-lhe a boca como quem morde morangos. Segurou-lhe as mãos sorrindo e o silêncio era tão puro que se ouvia música.
A tarde foi-se. Indo, até que ela quebrasse o silencio:
“Fumo”
“O quê?”

“Longe de ti são ermos os caminhos!
Longe de ti não há luar nem rosas
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos.

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos...
Perdidos pelas noites invernosas...
Alertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinho!

Os dias são outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, oh meu amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...”

Ela o olhava como se fosse capaz de vê-lo por dentro. Sua mente voou para o momento em que se haviam visto pela primeira vez. Aquela biblioteca onde passara os dias de sua adolescência nunca fora tão divertida. Foram expulsos por perturbar o silencio com aquela conversa interminável sobre flores. Pensava em como seria tudo depois do fim. Ela sabia que o poema havia sido suficiente.
“Longe de ti tudo finda”, foi a resposta.
“Não há outro jeito.”
“E esse é o epílogo do final feliz?”
“Parece que sim”
A verdade sobre a vida é a de que tudo é pétala. As pétalas mais coloridas e diversas que se possa contar na Amazônia. Mas elas se vão, indo de flor em flor. Pétala que é pétala é leve e vai com o vento.
O mundo parecia acabar. Sua mente galopou para um futuro em que ela não estaria mais a lhe recitar poemas. A vida jamais seria mais triste. Ermos seriam os caminhos, sem luar nem rosas. Nada restaria na noite senão a mais silenciosa música da expansão do universo. O chiado de uma televisão sem sinal. A voz que lhe cantaria vazio.
O amor, a ferida que arde sem se ver, é, e não há como fugir, infinito enquanto dura. O poeta tinha razão. Os apaixonados são invencíveis. Imortais. Para eles, o amor jamais tem fim. A vida, o céu, as árvores, os montes, as flores. Todos infinitos.
A realidade é que tudo finda. E quando ela se esvai, volta a ser pó, que alimenta a terra, que alimenta as flores, que alimenta outras paixões, ele fica. Só. Sujeito à loucura.
Solitário, jogou-se nas academias de filosofia. Buscou, pelo resto dos anos, a teoria mais exata, a explicação mais simples e racional para as ações do amor. Como não achou, porque na há, esperou que a vida lhe fosse. E foi.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Canto X

Todos os dias são dias para que se viva. Tudo acontece de forma universal e imprevisível. É! Imprevisível!
A liberdade não é uma brincadeira de roda, de que você pode pula e dar a outro, o lugar. A liberdade é como roupa de baixo. Cada um tem a sua. E cada um escolhe de um jeito.Só você pode usar sua roupa de baixo, do jeito que lhe faz confortável.
Não há como ter a liberdade de outro, porque essa fere a sua de alguma forma. A liberdade é, no caso, como roupa de baixo que se conquista.
O amor não é, e pelo amor de Deus encontrem outra rima, uma flor. É como um gás inebriante. Está em nós. É excretado e ingerido por nós. E nós nem mesmo notamos.
A tristeza é a descrição perfeita de uma gripe. Você pode esquecer dela, e seu nariz pode desentupir. Mas ela está ali. Se chover, vem e trás junto todo o antigo muco, todo a antiga febre.
A mente humana é um gnomo aprendendo a falar depois de cinco doses de vódca. Dali só saem besteiras desconexas!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Canto VIII

Meteu-se em mim uma pequena flor
Foi abrindo espaço
Enfiando-se por dentro
Despejando orvalho incandescente em minhas veias
E o polem vai batendo na mistura vital de meu sangue

A planta vai enraizando em meu peito
E me enchendo de sua poesia invasiva

Abriu-se a flor
Despertou meus sonhos

Daí fechou-se como que por censura da ditadura
E dorme profundo em mim
Mantendo suas raízes em minhas entranhas
(Brena Bela)

Assino, hoje, como Brena Bela... A pedido de meu professor de Literatura Pierre Morais

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Canto IX

Durante todos os tempos em que consigo ouvir conversas sobre o governo e coisas mais, penso no porque diabos isso ainda é discutido.

É claro que nem todos vão pensar como eu, é verdade...

Por mais que a história não me dê o aval, o início do surgimento das lideranças no mundo não teve um objetivo tão nobre, o motivo pelo qual escolhemos governantes é para que cuidem da sociedade. Claro! Isso todo mundo sabe...
Escolhemos um, porque não dá pra fazer assembleias gerais todos os dias.
Cuidar da sociedade, por favor, é fazer com que os direitos de todos sejam garantidos, que todos tenham direito a educação de qualidade, que todos possam ir ao médico, que todos possam... ah! Viver!
Alguém concorda comigo?
A economia comercial se encaixa nessa história, para justamente conseguir o capital necessário para garantir à população todos esses bem. O resultado das vendas, subtraído das compras, tem que ser um resultado positivo.
Ok! Até eu acho que ainda esteja certa.
A questão é que essas compras e vendas, não são feitas pelos governos dos estados, e cidades, ou mesmo o governo federal. É feita por empresários, que tem terras, industrias e etc... Contínuo correta?
Então para o Estado resta para fazer benfeitorias para o povo, que não é mais do que é pago para fazer, é o dinheiro arrecadado pelos impostos.
Nós pagamos muitos impostos. Muitos mesmo.
Então está. Se o dinheiro que é resultado do comércio, vai para mão dos empresários e proprietários de terras, e o dinheiro que fica para o Estado é o dinheiro dos impostos...O estado não devia se preocupar estritamente em usar o orçamento para desenvolver as instituições do Estado que servem para atender a população?
Existem muitas escolar que ainda não existem! Muitas escolas que são uma grande porcaria quanto ao ensino. Paga-se muito mal os professores. Mandam os médicos e servidores públicos se danar todo o mês quando recebem seus salários e veem que não é o suficiente!Eu posso estar muito errada com isso, muito desenformada!Muito mesmo. Mas será que isto tudo não está errado?
O que nós que somos povo deste Estado podemos fazer para mudar isso? Votar. Correto? E nós estamos votando. Para presidente escolhemos o Lula que, eu acredito, está tentando. Em quem nós votamos para vereadores, deputados, senadores, em fim, legisladores? Muitos de nós não vai se lembrar! Basta saber quem é o presidente, e as ideias dele.
O que acontece é que se você vota num presidente, tem de votar num legislador que concorde com ele! Porque, caso contrário esse presidente terá tudo o que tentar fazer vetado, e terá de comprar o voto dos outros para conseguir fazer alguma coisa.
Ponto. Só quis destacar isso.

( Brena Bela)

Canto VII

Perdi!A reforma já foi feita...
E não há como mudar!
Deem adeus ao querido trema...
E comam a boa linguiça sem se preocupar se é com as bolinhas ou não...
E mais...
Algumas outras palavras ficaram sem acentos...
E coisas mais...
Eu sinto muito...
A lingua portuguêsa perde um pouco da história...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Um dia

Hoje o grupo de base da pastoral da juventude estudantil teve o poder de tirar um peso de minhas asas. Mesmo que por um instante pude voar...
Pensei que teria de posar...

Ídolo: Fernão Capelo Gaivota!

Canto VI

Ando pela rua...
e continuo a andar
Par que parar?
Vou andando e vejo as paredes sujas do prédios
E dá pra ver que está tudo sujo atrás delas
E atraz do que há por tras também posso ver
Mas não posso ver o que está por dentro.
mesmo querendo acreditar que ainda possa estar limpo.

Continuo andando e vejo o que está paradao
Tudo está
Vejo ainda oq ue está sofrendo por tras doq ue está parado...
E apenas vou andando...
Só...
Mas antes ir só,
Que não caminhar

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Canto V

A fênnix agora anda com as penas encaracoladas, sua calda é um cascata de cachos...!!
Assim fica mais fácil de voar...
E mais bonito também!

Canto IV

Quero-te com os lábios molhados
A boca seca e os olhos fechados
As mãos em minhas mãos.
Sés dedos entre meus dedos

Na entrada de um jardim
No espaço entre a ida e a volta
No meio da noite
Entre o nascer do sol e aparição da primavera.
Nem muito quente e nem muito frio.
Perdidos em horas sem fim

E se pensa que o infinito tarda e nunca vem...
Ah! Ele chega!
O infinito é agora, o infinito é amanhã!
O fim do que nunca acaba é todo tempo.
Porque a coisa sempre volta a começar.

domingo, 23 de setembro de 2007

Canto III

Se leram uma dessas revistas que está passando por aí no mês de Setembro, com certeza, viram que estão, para facilitar as relações comerciais entre Brasil e Portugal, e outros países que falam a língua portuguesa, tentando tornar a mesma de mais fácil aprendizado.
Escolheram abolir traços como trema e o acento grave.
A questão basicamente é: Que diabos eles pensam que estão fazendo?

A língua portuguesa é patrimônio histórico desses países. O que estão fazendo é interferir no curso da história de forma arbitraria!
Se estivéssemos falando do Italiano, que foi construída a partir de um conselho como se fosse uma constituição, até que vai. Sentaram e criaram. Sentam e a modificam!

Mas o Português é diferente; vindo do latim vulgar ele tem características muito peculiares que devem ser respeitadas. Imaginem como seria estranho o som da palavra tranqüilo se não houvesse trema. Dir-se-ia algo como trankilo.

Eu não quero ser contra a economia. Mas pensem bem! Não fomos obrigados a aprender o maldito inglês com todas aquelas complicações e exceções?
Sim fomos. Ora! É uma língua que mal separação de sílaba tem!
Tombemos a Língua Português como patrimônio histórico no qual coisas poderão apenas ser acrescentadas e não apagadas como quem põe fogo num Jequitibá.

Há de se ter respeito à palavra. Ao som. Ao que ela representa. Não consigo aceitar que apaguem a língua portuguesa desta forma.

sábado, 22 de setembro de 2007

Canto II

Laura caminhava pelas águas rasas da beira do rio, sentindo as pedras por entre os dedos. A barra do vestido molhada e os sapatos nas mãos.
O caminho do rio era longo e sempre igual; pedras e areia. O que mudava eram as águas por onde passavam suas canelas.
Continuava caminhando . Seus longos cabelos negros voando com o vento. Ah! como era bom sentir o rio daquele jeito. Ah! como era bom lembrar de seus tempos de criança, quando podia correr e pular nas águas sem culpa de molhar as roupas novas. Era maravilhoso sentir a areia sobre seus pés quando estava molhada.
Depois de dez passos entre as pedras não conseguiu resistir e mergulhou com avidez naquelas águas de infância. Frias e agradáveis como sempre foram. Nostálgicas.
A nostalgia é o sentimento mais agradável que se pode ter sobre o passado. Uma saudade infinita que aumente cada vez mais, um tic de querer tudo de novo, um tac de querer viver mais. O relógio vai batendo. Até que a velhice chegue, e quando chega, e o fim está próximo, só resta a bendita para fazer companhia. Até que o fim chegue, e quando chega, tudo volta. Como um raio, se repete. E você vira estrela.
Laura estava longe de viver isso. Tudo que tinha eram alguns anos de vida que nem lhe tinham deixado rugas. Mas a sensação de nostalgia a acompanhava naquele momento. A cada mergulho, a cada braçada podia sentir-se com seis anos de idade, quando vinha às águas deste rio a procura da nostalgia do dia anterior.
Esse momento se repete inúmeras vezes na vida. A vida se alimenta da vida.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Canto I

Se eu fosse pequena como as flores da cerejeira...
Me encantaria com a as joaninhas e deixaria em paz as moscas...
meu pólem seria delas...
E também minha cor....
Se eu fosse imensa como a pequenês dos átomos de ferro...
Queimaria e me faria corrente...
Faria vida no fogo...
E a força das espadas...
Se eu fosse tão grande quanto a lua...
Me faria pequena ao olhar de todos...
E inteira ao mirar de meu amor...
Que bom que sou do meu tamanho...
E do tamanho do que vejo...
Assim, posso ver e ser o que quiser...
Essa liberdade me dá diversas formas
Porque se fosse o que quero ser...
Eu seria o que fosse....

Surge mais uma força!

Nasce uma ave de magnífica delicadeza, cresce e se torna o pássaro mais poderoso e forte que o céu já vira. Voa como o grande vento. Dança com fogo. É forte como a água. Tem o poder de, com o mundo, mudar o mundo.
Este animal de grande poder, não segue a lenda de seus ancestrais. Jamais usaria sua força para destruir as casas dos homens, mas sim, para abrir suas mentes para o céu que há sobre eles e ensiná-los a voar.
A fênnix vem para sorrir e cantar a vida. Unir-se as outras forças para lutar.

Nasce hoje, agora e sempre. No fim e no começo.